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"Temos 600 empresas de capital português atuando no Brasil e acreditamos que há espaço para mais"

"Temos 600 empresas de capital português atuando no Brasil e acreditamos que há espaço para mais"

Portugal e o Brasil vão assinalar em 2022 os 200 anos da sua separação, da independência brasileira. Há uma situação curiosa que é o busto do grande diplomata de D. João V, Alexandre de Gusmão, estar tanto no Itamaraty como aqui, no Palácio das Necessidades. Há uma relação especial com Portugal que perdura e faz com que seja uma prioridade para a diplomacia brasileira?


Que Portugal é uma prioridade para a política externa brasileira é revelado, por exemplo, pelo fato de que o chanceler é empossado em abril e no final do mês de junho faz uma primeira viagem internacional e essa viagem é para Portugal. Hoje [sexta-feira] nós pudemos discutir com o ministro Santos Silva - eu já havia tido a honra de ter sido recebido pelo Presidente da República portuguesa - o futuro da relação. Sabendo que se trata de uma herança cultural, de um passado comum, a nossa relação, porém, não é baseada no passado. O passado ilumina o presente e o futuro. Nós discutimos o presente e discutimos o futuro.

 

E nesse futuro há algo concreto que tenha sido falado nesta visita?

O trabalho da diplomacia nem sempre é um trabalho cujo fruto colhemos no dia seguinte. Nem sempre é no curto prazo. Eu gosto de dar um exemplo muito claro da América do Sul e da integração energética do Brasil com a Bolívia, um contrato que dura até hoje, mas que começou em 1999. E demorou décadas para ser estabelecido. A usina de Itaipu, entre o Brasil e o Paraguai, que se paga agora em 2023 - dois países da América do Sul em desenvolvimento fazem a maior hidroelétrica de capacidade de geração do mundo até hoje, mesmo comparado com a chinesa Três Gargantas. Fazem aquilo com recursos próprios, empréstimos tomados, e 40 anos depois essa usina está paga. Então, às vezes a construção diplomática demora algum tempo, mas as realizações ficam. Com Portugal nós temos uma cooperação muito forte no campo cultural, no campo internacional multilateral, as nossas posições conjuntas junto das Nações Unidas, o apoio que Portugal nos tem brindado para a acessão do Brasil à OCDE e também para a ratificação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Eu sou otimista quanto às perspectivas do futuro da relação.

 

Acha então que há caminho para a relação bilateral se aprofundar, por exemplo, também do ponto de vista econômico?

Sem dúvida. Nós temos hoje cerca de 600 empresas de capital português atuando no Brasil e acreditamos que há espaço para mais. Eu estive na Confederação das Indústrias Portuguesas, um encontro que foi tão bom que estava previsto durar uma hora e durou duas horas e meia, onde eu pude falar, mas pude sobretudo ouvir executivos de empresas portuguesas que têm interesse no Brasil. Como, por exemplo, a Galp, a EDP, a TAP, empresas do ramo bancário, do ramo tecnológico, startups, a Delta Cafés. Há uma gama imensa de interesses econômicos que aproxima o Brasil de Portugal e esta cooperação, essa participação, pode ser implementada. E por quê? O Brasil já dá sinais de recuperação econômica. Do primeiro dia de janeiro até ao último dia de maio, o Brasil gerou 1 milhão e 200 mil empregos diretos. Os bancos, como o Itaú e o Santander, que são conservadores por natureza nas operações financeiras, projetam um crescimento do PIB de pelo menos 5% para o Brasil este ano. Então há uma recuperação que está a caminho. E essa recuperação nos faz acreditar que as relações tradicionais do Brasil com Portugal podem, sem dúvida, aprofundar a participação na nossa economia. O Brasil hoje tem uma economia aberta. O Brasil fez o dever de casa, nós fizemos a reforma trabalhista no governo Temer. O Presidente Bolsonaro fez a reforma previdenciária. Estamos agora botando no Congresso Nacional uma reforma tributária e também administrativa. Passou-se uma lei, chamada a Lei do Gás, que permite realmente aí uma descentralização e uma diversificação do mercado de gás natural no Brasil, sem a presença do Estado. Empresas importantes estatais, como, por exemplo, a Petrobras, saíram do ramo de distribuição, inclusive das estações, dos postos de gasolina, abrindo a possibilidade que temos de ter investimento direto estrangeiro privado e aumentando a eficiência. O caminho do Brasil é esse. O caminho da abertura é o caminho da riqueza e da prosperidade.

 

O Brasil já chegou a estar no sexto lugar do ranking das economias mais desenvolvidas. Está otimista em relação ao Brasil recuperar a sua afirmação como grande potência?

O Brasil tem imensos desafios, mas é um país de imensas possibilidades. Estamos nos aproximando agora aqui de uma época de transição energética. Eu pude estar com o ministro do meio ambiente aqui de Portugal e fiquei muito impressionado com os resultados que Portugal colheu no fechamento de usinas a carvão, de modo que cumpre Portugal os seus compromissos de neutralidade climática com grande velocidade, muito antes até do que se havia previsto, dando uma lição a muitas nações. E o Brasil, por exemplo, é um sítio perfeito para a produção de hidrogênio verde, que é o hidrogênio feito a partir de fontes renováveis. E o Brasil tem um grande potencial eólico, tem grande potencial solar, tem grande potencial hidroelétrico, e com isso nós poderemos cooperar também para a melhoria do meio ambiente, e talvez com empresas portuguesas possamos até fazer associações que nos permitam exportar hidrogênio.

 

A economia verde pode ser opção para o Brasil?

A economia verde, a bioeconomia, tem o apoio do governo brasileiro, mas sobretudo na parte de transição energética, o chamado hidrogênio verde, que é o hidrogênio feito a partir de fontes renováveis, como as fontes eólica e solar. A Austrália hoje, por exemplo, produz hidrogênio, mas não é o hidrogênio verde, porque é feito a partir de carvão - não é uma fonte renovável. No Brasil nós temos condições de fazer, mas precisamos é de tecnologia. E a tecnologia pode vir a partir de parcerias com países europeus, como Portugal ou a Alemanha.

 

 

Escrito por: Leonídeo Paulo Ferreira 

Fonte: www.dn.pt

 

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